Ministério da Justiça lembra 35 anos da Lei de Anistia

A pré-estreia do filme 500 – Os Bebês Roubados pela Ditadura Argentina lembrou hoje (28), na sede do Ministério da Justiça, os 35 anos de assinatura da Lei de Anistia. O filme conta a luta das Avós da Praça de Maio, em Buenos Aires, para reencontrar seus netos, filhos de presos ou desaparecidos, sequestrados durante o regime militar argentino.
O presidente da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, Paulo Abrão, disse que o evento é uma uma chance de pensar sobre democracia no Brasil. “Trata de uma reflexão que nós fazemos, 35 anos depois, a respeito de uma agenda da transição que ainda resta pendente no país. É uma oportunidade para refletirmos que tipo de democracia queremos aprofundar, a partir daquele que foi o marco jurídico da nossa redemocratização”, ressaltou.

Comissão de Anistia do Ministério da Justiça relembra os 35 anos da Lei de Anistia
Em debate depois da exibição do filme, participantes do encontro defenderam a revisão da Lei de Anistia. Com base no termo "crimes conexos", acham que a lei anistiou não só os perseguidos políticos do regime militar, mas também agentes que cometeram crimes contra eles, o que impede que os crimes sejam julgados.
João Vicente Goulart, filho do ex-presidente da República João Goulart, disse que a Lei de Anistia deve ser comemorada, porém defendeu sua reformulação. “Nós temos que comemorar, porque houve uma lei de anistia, um pouco tardia, muitos já haviam morrido no exílio, como o presidente João Goulart. Mas é dever de todos nós, brasileiros, lutar para que essa lei de anistia possa ser reformulada, possa ser reconstruída, e que possa ser mais dignificada no que tange aos direitos humanos”, salientou.
Iara Xavier, da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência de República, disse que a lei representa um entrave para o julgamento de acusados de torturas e assassinatos. “Ela precisa ser revista, se não nós não conseguimos levar à Justiça os assassinos que precisam ser punidos”, defendeu.
Fonte: Ministério da Justiça lembra aniversário de 35 anos da Lei de Anistia


