Após reatamento entre Cuba e EUA, suspensão do embargo dever ser o próximo passo

Especialistas avaliam que a sociedade cubana só deve perceber mudanças

Publicado em 25/07/2015 - 12:36 Por Ana Cristina Campos – Repórter da Agência Brasil - Brasília

Bandeira de Cuba é hasteada no Departamento de Estado norte-americano (Agência Lusa/Direitos Reservados)

A sociedade cubana deve perceber mudanças significativas com o fim do bloqueio econômico, diz especialistaAgência Lusa/EPA/Andrew Harnik/Direitos Reservados

Após o reatamento diplomático entre Cuba e Estados Unidos, a normalização das relações entre os dois países ainda tem pendências a serem resolvidas, principalmente a suspensão do embargo econômico, comercial e financeiro imposto à ilha caribenha desde 1962. Especialistas ouvidos pela Agência Brasil avaliam que a sociedade cubana deve perceber mudanças mais significativas em seu cotidiano com o fim do bloqueio econômico.

No dia 20 de julho, as embaixadas foram reabertas em Washington e em Havana após 54 anos de rompimento diplomático. Nesse dia, após reunião com o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, o chanceler cubano Bruno Rodríguez disse que Havana reconhece a determinação do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em trabalhar para suspender o embargo econômico a Cuba e reiterou a urgência de o Congresso norte-americano eliminar o bloqueio, que restringe as trocas comerciais e o acesso de empresas e investidores à ilha caribenha.

Para o professor do curso de relações internacionais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) Paulo Pereira, a reabertura das embaixadas tem importante caráter simbólico de remoção de um dos resquícios da Guerra Fria, mas representa apenas o início de um ciclo que só vai se completar com o fim do embargo. “Quando o embargo for retirado, a gente vai começar a ver, aí sim, uma maior transformação política e econômica e vai poder dizer que esse anacronismo da Guerra Fria foi colocado de lado pelos Estados Unidos”.

Na avaliação do professor, as mudanças que vão ocorrer para o cidadão cubano ainda vão precisar de um tempo para aparecer. “O ponto mais fundamental desse processo é uma gradual abertura de comercialização entre Estados Unidos e Cuba, especialmente a partir do momento, e esse é o grande teste desse reatamento diplomático, do fim do embargo. Enquanto isso não ocorrer, as mudanças ainda vão ser muito tímidas. Acho difícil que o cidadão comum sinta tão presente agora qualquer transformação”.

Pereira acredita que a retomada das relações vai possibilitar uma maior circulação de pessoas, principalmente dos cubanos exilados nos Estados Unidos para visitar a ilha caribenha. “Existe uma série de restrições de viagens entre os dois países e, com o reatamento, isso deve ter um relaxamento. Já havia uma distensão nesse sentido há pelo menos um ano e meio e agora esse processo será intensificado”.

O professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB) Argemiro Procópio Filho também acredita que as visitas e as remessas de dinheiro serão facilitadas. “Muitas pessoas em Cuba têm parentes nos Estados Unidos e o envio de ajuda financeira sempre foi difícil. A facilitação das viagens e das remessas já é um grande passo. O processo de mudanças é lento, não é da noite para o dia. Cuba é um mercado em potencial para diversos setores, como, por exemplo, telecomunicações.”

O consultor e ex-secretário de comércio exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Welber Barral, diz que uma das principais apostas da economia cubana para se reerguer é o afluxo de turistas americanos. Segundo ele, o turismo é uma das principais atividades econômicas da ilha caribenha que teve grande investimento em resorts e hotéis de grupos europeus.

Barral lembra que a economia cubana foi subsidiada pela União Soviética na época da Guerra Fria e passou a vivenciar forte crise a partir da década de 1990. “A abertura do mercado americano será muito importante. Cuba vai poder exportar produtos tradicionais, como charutos e rum, o que vai ajudar sua economia”.

O ex-secretário de Comércio Exterior explica que a economia cubana está em transição. “Para atrair capital estrangeiro, Cuba já fez algumas reformas permitindo investimento externo em alguns setores, como turismo. Os cubanos já podem ter alguns pequenos negócios, como restaurantes e táxis. Uma transição para uma economia de mercado vai vir com o tempo, não vai ser de um dia para o outro”.

Barral destaca que o Brasil, ao financiar o Porto de Mariel, em Cuba, saiu na frente nesse novo cenário que se desenha para a região. “Cuba tem uma posição geográfica privilegiada, no centro do Caribe. O Porto de Mariel já vai dar uma estrutura logística muito boa para embarque e desembarque de mercadorias. A médio prazo, Cuba pode crescer na área logística. Para o Brasil, interessa que a economia cubana volte a crescer para consumir produtos manufaturados nacionais.”

Edição: Valéria Aguiar

Dê sua opinião sobre a qualidade do conteúdo que você acessou.

Para registrar sua opinião, copie o link ou o título do conteúdo e clique na barra de manifestação.

Você será direcionado para o "Fale com a Ouvidoria" da EBC e poderá nos ajudar a melhorar nossos serviços, sugerindo, denunciando, reclamando, solicitando e, também, elogiando.

Denúncia Reclamação Elogio Sugestão Solicitação Simplifique
Últimas notícias
Polícia Civil do Rio de Janeiro.
Direitos Humanos

Rio: operação prende suspeitos de violência contra a mulher

De acordo com a delegada Sandra Ornellas, somente em 2019 as delegacias de atendimento à mulher no Rio indiciaram 16.703 suspeitos de violência doméstica e familiar.

O jogador Guerrero, do Internacional
Esportes

Três jogos fecham segunda rodada da Série A do Brasileirão

São Paulo, Fortaleza, Internacional, Santos, Vasco e Sport entram em campo na noite desta quinta-feira pelo nacional de futebol.

 Escultura do Cristo Redentor na praia de Copacabana.
Saúde

Cristo Redentor passa por desinfecção antes da reabertura no sábado

Até agora, já foram feitas mais de 400 desinfecções em locais públicos como rodoviárias, aeroportos, estações de trens, metrôs e barcas, hospitais e unidades de saúde e asilos.

Presidente russo, Vladimir Putin, visita hospital de Moscou com roupa de proteção
Internacional

Rússia: médicos serão vacinados contra covid-19 em duas semanas

Alexander Gintsburg, diretor do Instituto Gamaleya, produtor da vacina, disse que o país planeja ter capacidade para produzir 5 milhões de doses por mês entre dezembro e janeiro.

Pesquisadores retiram soro de cavalo
Saúde

Soros produzidos por cavalos têm anticorpos potentes para covid-19

O coordenador do projeto, Jerson Lima Silva, da UFRJ, apresenta os resultados da pesquisa hoje (13) à noite, durante simpósio sobre covid-19 na Academia Nacional de Medicina, no Rio.

Funcionário da CureVac demonstra fluxo de pesquisa para vacina contra coronavírus em Tuebingen, na Alemanha
Internacional

Instituto alemão diz que vacina pode estar disponível logo

Em comunicado, o Instituto Robert Koch informou em seu site que uma primeira vacina poderá estar pronta até o outono de 2020, mas que o impacto pode ser moderado devido a mutações virais.