Queimados, sem comida ou casa: animais do Pantanal sofrem com fogo

Consequências de incêndios se prolongarão para além do período de seca

Publicado em 18/09/2020 - 05:58 Por Renata Martins - Brasília
Atualizado em 18/09/2020 - 12:32

O fogo que avança em uma das maiores áreas alagadas do mundo abala também por apagar para sempre as pegadas de milhares de animais do Pantanal.

O bioma é a casa de quase 500 espécies de aves, mais de 100 espécies de répteis e 132 espécies de mamíferos. Mais de 20 mil onças-pintadas vivem na região.

O biólogo Mahal Massavi percorre o pantanal mato-grossense em busca de animais machucados. O projeto que ele coordena, o Bichos do Pantanal, financiado pela Petrobras também deixa água e alimento espalhados por áreas devastadas. Mahal relata o que tem vivenciado.

“O que nós temos percebido é que o impacto é grande, nós temos diversas espécies de mamíferos afetadas, especialmente a onça pintada. Nós temos 20 animais que foram queimados, que tiveram as patas queimadas, e diversas outras espécies de mamíferos, como veados, tatus, pacas, cutias, animais que não conseguem fugir porque o fogo avança muito rápido e acabam sofrendo. Acabam morrendo na queimada ou tento parte do corpo queimado”.

O trabalho de resgate precisa de uma cadeia de agentes e estrutura para ocorrer, e tem sido feito, normalmente, com uma série de parcerias. São voluntários, Polícia Militar, universidades, órgãos ambientais. O biólogo Mahal Massavi explica como é feito o resgate.

“Eles são capturados, anestesiados, tudo com acompanhamento de médicos veterinários. Esses animais passam por uma triagem para avaliar seu estado, para ver como eles estão. Caso não seja nada muito grave são feitos os curativos e os animais são soltos em áreas livres do fogo. Caso esse animal tenha um ferimento muito grave, ou eles são encaminhados para a capital, Cuiabá, ou para Goiás”.

Espaços maiores para atendimento e recursos para aquisição de medicamentos veterinários são algumas das demandas de quem está no Pantanal na luta para proteger as espécies.

O secretário de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul, Jaime Verruck, cita a estrutura montada pelo estado.

“Nós temos tidos excesso de mortalidade, principalmente com répteis. Criamos unidade móvel, um Samu de animais silvestres, para fazer o primeiro atendimento. Montamos também, a partir dessa semana, no município de Corumbá, um pronto socorro para fazer o primeiro atendimento, para depois deslocar para Campo Grande. E também uma parceria com a Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, que tem um campus de pesquisa no Pantanal, onde eles também vão fazer essa recepção primária. E trabalhando ombro a ombro com as ONGs, que também têm ajudado muito”.

As ações também contam com apoio das Força Armadas.

Mas o fim das chamas não vai encerrar a tragédia ambiental. Professor de biologia da Universidade do Estado de Mato Grosso, Ben Hur Marimon Junior afirma que o maior problema é que esses animais estão perdendo seus habitats.

“Eles não têm mais onde morar, onde comer, se alimentar. Então a mortalidade vai continuar depois do incêndio, devido à perda dessas florestas. Então, algumas populações, alguns bichos, principalmente de topo de cadeia alimentar, que seria a onça pintada por exemplo, que se alimenta de outros animais, esses vão sofrer bastante, porque eles vão ficar sem alimento”.

Segundo o pesquisador, com a chegada das chuvas, a fuligem das queimadas será levada para os rios, o que muda a acidez e a concentração de nutrientes nas águas. Para Ben Hur, as muitas espécies de peixes que se reproduzem no Pantanal e outros animais aquáticos serão prejudicados.

 

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Edição: Sumaia Villela

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